·         Quando nasce contabilmente uma empresa. Débito e Crédito fácil.

·         Patrimônio Líquido das empresas.

·         Introdução à Contabilidade para iniciantes, leigos e programadores.

 

Observação e Base Legal: As estruturas do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício estão definidas na NBC-T 3.2 e NBC-T 3.3, do Conselho Federal de Contabilidade.

Introdução:

         Quando se decide constituir uma empresa, doravante consideradas como "empresa" todas aquelas entidades de direito privado e com fins lucrativos, é sabido que se necessita atribuir a ela um valor patrimonial, ou seja, uma quantia em dinheiro ou bens necessários ao início das atividades a que ela se propõe. Se é uma empresa comercial, é necessário que o empresário ou os sócios dispunham de um capital inicial de forma que a empresa possa comprar os estoques, as prateleiras para armazenamento, mesas, computadores, gastos com fachada, legalizações nos diferentes órgãos da administração pública etc. Este capital disponibilizado pelos sócios ao negócio é o que chamamos de capital social. Se é uma empresa prestadora de serviços, haverá os gastos com aquisições de material gráfico, treinamento de colaboradores, veículos de atendimento, computadores etc. Esses gastos utilizar-se-ão do capital social atribuído. Se é uma empresa industrial, a aquisição de máquinas, mobiliário, matérias-primas, caminhões etc é que se utilizará daqueles recursos.

         Concluindo esta intrudução, queremos dizer que este capital social que é atribuído, disponibilizado pelos sócios ao negócio, é o fato gerador do primeiro lançamento contábil de uma empresa. Contabilmente, a empresa nasce no momento em que os sócios decidem constituir aquela atividade e a ela disponibilizam um valor de capital social. Ela nasce, de fato, pela assinatura de um contrato social, se sociedade ou EIRELI, pela assinatura de um requerimento de empresário, se empresário individual, ou pela assinatura de um estatuto social, se uma sociedade anônima. Aqui fazemos uma consideração nossa: A empresa é constituída, de fato, no ato de assinatura do instrumento de constituição (do contrato, do requerimento de empresário etc) já que, ali, os sócios, ou o empresário, decidem pela viabilidade do negócio. Ela nasce, de direito, no entanto, pelo egistro deste instrumento de constituição no órgão competente de registro (Cartório, Junta Comercial etc).

Das estruturas contábeis básicas (BP e DRE):

         Os atos de contabilidade de uma empresa buscam gerar dois demonstrativos contábeis essenciais, qualquer que seja o negócio da empresa, o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício. Não estamos dizendo aqui que estes demonstrativos são os únicos obrigatórios ou necessários, aliás, são obrigatórios, também, o Demonstrativo de Fluxo de Caixa, antes a DOAR, o Demonstrativo de Mutações do Patrimônio Líquido etc (A NBC-T 3 define e regulamenta a estrutura de cada demonstração). Afirmamos, no entanto, que todos os demais demonstrativos contábeis e de informações gerenciais de uma empresa se originam do BP e da DRE, ou seja, são, o que podemos caracterizar sob nosso conceito e risco, demonstrativos auxiliares.

         Atentemo-nos, então ao BP e a DRE:

         O Balanço Patrimonial é um demonstrativo contábil que tem como objetivo revelar aos interessados das informações contábeis de uma empresa a situação financeira, econômica e patrimonial, daquele negócio, em uma determinada data específica. Imaginemos um fotógrafo que, viajando em um helicóptero sobre a empresa, lá do alto, fotografasse a estrutura física da empresa e que, no rodapé daquela fotografia, a câmera do fotógrafo imprimisse a data do registro. Posteriormente, olhando para aquela fotografia em mãos, veríamos a cor do telhado, portas abertas ou fechadas, pessoas no pátio, caminhões entrando e saindo, empilhadeiras transportando pallets no pátio de carga e descarga etc. Ora, por aquela fotografia que representa uma visão física da empresa em uma determinada data, é possível ao observador ter noções da atividade daquele negócio. Se há vários caminhões entrando e saindo do pátio da empresa naquele instante fotográfico, pode-se imaginar que a empresa possui alto fluxo de carga e descarga, intensa atividade de compra e venda. Se existem, na imagem, várias pessoas uniformizadas no pátio, é possível deduzir que a empresa possui grande quadro de funcionários envolvidos com a operação de carga e descarga, controles de estoques etc. Se a fotografia mostra imagens de uma instalação conservada, limpa, boa pintura, organizada, sinalizada, pode-se deduzir que a empresa possui recursos suficientes para tratar da manutenção de seus equipamentos e instalações e que possui pessoal adequado para cuidar de aspectos organizacionais necessários ao bom desenvolvimento da atividade.

         O Balanço Patrimonial é uma demonstração contábil que funciona, reservadas as particularidades e formalidades, tal como a fotografia aérea. Ele fornece numericamente a condição patrimonial e financeira de uma empresa em uma determinada data mostrando quão rico ou quão sofrível financeiramente está aquele negócio, quanto tem a receber e quanto deve a fornecedores, bancos, funcionários etc, quanto possui de bens registrados como patrimônio do negócio como caminhões, prédios, máquinas etc. O fotógrafo, nesse caso, seria o contador que elaborou o BP e o documento, ao invés de ser uma imagem impressa em um papel fotográfico, seria uma relatório com números gravados.

         O Balanço Patrimonial é formado por dois grandes grupos, o ATIVO e o PASSIVO. Cada um deles demonstra números, saldos de contas. Historicamente e didaticamente, são apresentados, impressos, um ao lado do outro, assim:

         A Demonstração do Resultado do Exercício, DRE doravante, é um relatório contábil que demonstra a viabilidade da operação da empresa em um determinado período, ou seja, ela reúne todas as transações de vendas, tributos, despesas, custos etc e, ao final, mostra aos interessados se a atividade, naquele período que a demonstração se dirige, resultou em LUCRO ou PREJUÍZO.

         A Demonstração do Resultado do Exercício é basicamente composta conforme a seguinte estrutura:

 

         Normalmente, para fins de gerenciamento dos negócios, é comum construir DRE's mensais, para consulta do lucro ou do prejuízo do mês. Para fins tributários e societários, ou seja, para apuração de impostos e contribuições e para decisão, dos sócios, de como investir ou distribuir lucros, é comum a realização de DRE's Trimestrais ou Anuais.

         Fato importante é de se notar que os dois demonstrativos estão intimamente ligados. Se a empresa apresentar lucro na DRE, este lucro tem dois destinos apenas: Distribuição aos sócios ou Capitalização. Se os sócios recebem, sacam da empresa, todo o lucro auferido em um ano, por exemplo, o Balanço Patrimonial em 31 de dezembro daquele ano, se comparado com o Balanço Patrimonial de 31 de dezembro do ano passado, demonstrará exatamente o mesmo valor de Patrimônio Líquido, que é a diferença matemática entre o total do Ativo circulante e não circulante e o total do Passivo circulante e não circulante, ou seja, a empresa não cresceu e também não diminuiu, continua do mesmo tamanho. Se os sócios não distribuem todo o lucro auferido e demonstrado pela DRE, então, parte daquele lucro fica capitalizado, ou seja, utilizado no próprio negócio. Se compararmos dois BP's, um do ano passado e outro atual, podemos notar que a empresa cresceu, ou seja, seu saldo de Patrimônio Líquido aumentou. O lucro capitalizado aparece, por exemplo, nas contas de clientes, ou seja, a empresa apresenta maiores saldos de contas a receber, porque, com lucro, sobrou dinheiro e pôde vender com maior prazo. Aparece, também por exemplo, nos saldos de máquinas, veículos etc, isto é, sobrou dinheiro, comprou mais equipamentos. Aparece, também por exemplo, nos saldos de dívidas com fornecedores, quando este saldo diminui, ou seja, sobrou dinheiro, pagou parte dos fornecedores que devia ou passou a comprar mais à vista.

         Ao contrário, se a DRE demonstra prejuízo auferido, é certo de crer que o Balanço Patrimonial vai demonstrar um Patrimônio Líquido menor, se comparado com o Balanço do ano passado, por exemplo. O prejuízo é sempre e automaticamente descontado do patrimônio dos sócios. Ele aparece, no BP, como uma diminuição dos saldos bancários, de estoques, de contas a receber da empresa, ou seja, deu prejuízo, faltou dinheiro, precisou pagar contas com os saldos de uma possível aplicação financeira que existia, ou, também por exemplo, vendeu parte dos estoques, mas, por um preço de venda muito baixo, não foi possível comprar novos materiais para repor aqueles vendidos. No passivo do BP, o prejuízo auferido na DRE pode fazer, por exemplo, aumentar os saldos de dívidas com fornecedores e bancos etc, já que, faltando dinheiro, a empresa toma empréstimos ou compra mais a prazo para continuar suas atividades.

 

Contabilidade básica passo-a-passo para iniciantes:

         Passemos, então, a aprender contabilidade. Começaremos por um exemplo onde dois sócios decidem por constituir uma pequena loja de sapatos. Reúnem-se, sentam à mesa, conversam e redigem um contrato social (normalmente com ajuda de um contador ou de um advogado). Neste contrato, decidem o tipo jurídico (uma sociedade), decidem o nome da empresa, o endereço etc. Decidem, também, o capital social. Neste exemplo, vamos imaginar que o sócio João será dono de 40% das quotas de capital social da empresa e que o sócio José será dono de 60% das quotas de capital. Quota de capital é a mínima parte da empresa que pode ser vendida. Não se admite, por exemplo, alguém ser dono de meia quota de capital, ou ainda, duas pessoas serem donas de uma só quota. Em um capital de R$ 100.000,00, João, então, precisa disponibilizar à empresa R$ 40.000,00 e José, proporcionalmente, R$ 60.000,00. Ao final dessa reunião, assinado o contrato social por ambos, nasceu a empresa! O dinheiro de cada um, no entanto, será depositado em uma conta corrente da empresa, quando abrir, ou, o que é mais comum, dado ao caixa da empresa, em espécie, ficando guardado em um cofre, uma gaveta, em um novo momento diferente deste da assinatura do contrato.

         No ato da assinatura do contrato e, então, à promessa de disponibilização de capital, de cada um dos sócios ao outro, damos o nome de Subscrição do Capital Social. Contabilmente, assim se demonstra no Balanço Patrimonial:

         Data de assinatura do contrato social:

         Nota-se, entretanto, que, apesar de registrarmos na conta de cada sócio o valor do seu capital social subscrito, tomamos o cuidado de registrar, também, no mesmo grupo de Capital Social, em número negativo, as contas de Capital Social a Integralizar em nome de cada sócio. Tal procedimento demonstra que o capital foi subscrito (prometido um sócio ao outro e ambos à empresa) no ato da assinatura do contrato, no entanto, ainda, até o momento, nenhum dos sócios pagou, integralizou, deu à empresa, o seu valor prometido. Nesse instante, então, podemos dizer que o Patrimônio Líquido da empresa continua sendo zero, que não há Ativos e nem Passivos.

         Imaginemos, agora, ainda neste exemplo, que os sócios se comprometeram, no contrato social, a integralizar o capital social à vista, em dinheiro, moeda corrente do país. Quando de tal redação no contrato social, a integralização, o ato de colocar o dinheiro de cada um no caixa da empresa, se faz, normalmente e legalmente, na data de registro do ato constitutivo no órgão de registro competente (cartório, conselho ou junta comercial), que é a data onde, de direito, iniciam-se as atividades da empresa. Assim seria o Balanço Patrimonial nesta data:

         Data de registro do contrato social:

         Observemos, agora, que registramos no Caixa os valores lá depositados pelos sócios, 40.000,00 de um e 60.000,00 do outro. O valor de Capital Social a Integralizar que, antes, reduzia o valor do Capital Social Subscrito a zero foi zerado/excluído/apagado. Notamos, então, que, neste momento, a empresa possui Patrimônio Líquido (PL), no valor de 100.000,00. Como as contas de PL são as únicas do Passivo da empresa, então, 100.000,00, é o saldo, também, do Passivo. Se fizéssemos uma pergunta do tipo: "Onde estão os 100.000,00 que o Balanço Patrimonial demonstra como patrimônio da empresa?". A resposta certa seria: "O patrimônio está no caixa, em dinheiro!". O patrimônio poderia estar nos estoques, em mercadorias, no grupo de Ativo Não Circulante Imobilizado, em veículos etc, mas, neste momento, está no caixa, em dinheiro.

 

O método de partidas dobradas e o conceito de débito e crédito:

         No exemplo anterior demonstramos como o Balanço Patrimonial demonstraria os saldos da empresa decorrentes das operações praticadas. Vejamos que a empresa praticou no exemplo somente quatro operações econômicas e/ou financeiras simples:

1) O sócio João subscreveu o seu capital, em 40.000,00;

2) O sócio José subscreveu o seu capital, em 60.000,00;

3) O sócio João integralizou o seu capital, 40.000,00 em dinheiro;

4) O sócio José integralizou o seu capital, 60.000,00 em dinheiro.

         Notamos também que, até aqui, não há o que se falar em DRE, já que nenhuma operação de resultado (que gera lucro ou prejuízo) foi praticada, ou seja, a empresa não vendeu nada, não teve nenhum custo, nenhuma despesa, nenhum tributo etc). O dinheiro, o valor, que os donos colocaram no negócio, ainda, continua lá, sem aumentar ou diminuir (sem somar com lucros ou sem ser subtraído de prejuízos).

         Com somente 4 operações realizadas, seria fácil ao contador, nesse momento, lembrar-se do que ocorreu desde a data em que os sócios assinaram o contrato até a data de registro do mesmo (+/- 2 dias) e, de fato, demonstrar o patrimônio da empresa, assim, não seria nada complicado. Se o contador precisasse escrever um relatório, um diário, mostrando porque, agora, a empresa possui um saldo de patrimônio líquido de 100.000,00, ele poderia, informalmente, redigir aos interessados algo assim:

         "Em dd0/mm/aaaa os amigos João e José se reuniram e decidiram pela sociedade com o objetivo de comercializar sapatos no varejo. Neste dia, arbitraram que seriam necessários 100.000,00 para iniciar o negócio e, então, João prometeu 40.000,00 enquanto José prometeu 60.000,00. Em dd1/mm/aaaa, a sociedade foi registrada e ambos depositaram o dinheiro prometido de cada um no caixa da empresa. De dd0 até dd1, o patrimônio da empresa era zero, já que os sócios prometeram o dinheiro mas não o depositaram. Em dd1, os sócios depositaram, e, então, o patrimônio passou a ser 100.000,00".

         Na prática, é necessário um sistema informatizado ou não, um método de registro das operações, dos atos praticados pela empresa, um a um, de forma que, automaticamente, as contas tenham seus saldos atualizados e delas resulte o Balanço Patrimonial e a DRE. Milhares ou milhões de operações financeiras, econômicas e patrimoniais são praticadas todos os dias em uma empresa real. Seria impossível ao contador, mesmo que ao final de um só dia, lembrar-se de todas as operações daquele dia, classificá-las, descrevê-las em texto como fizemos no parágrafo anterior, e, ao final, emitir um BP demonstrando a situação patrimonial daquele negócio.

         O método que resolveu tal necessidade é chamado de Método das Partidas Dobradas e foi "inventado" e descrito em 1494 por Luca Pacioli no seu livro Summa de Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalità.

         O método das partidas dobradas funciona da seguinte forma prática:

         Cada ato econômico acontecido é registrado por lançamentos em duas contas contábeis, em uma debitando o valor e na outra creditando o mesmo valor. Dessa forma, um valor nunca é esquecido, ou seja, ele sai de um lugar e entra em outro lugar, mas fica dentro da empresa. Esse "lugar" é o que chamamos de conta contábil, uma rúbrica, um título, sob o qual se registram operações e valores. Por exemplo, o Caixa é uma conta contábil, o Estoque é outra conta contábil, a Cliente Maria é outra conta contábil, as Vendas à prazo são outra conta contábil e assim por diante. Naquele nosso velho exemplo, o sócio João era uma conta dentro do grupo de capital social subscrito. O sócio José era outra conta dentro do grupo de capital social subscrito. Ambos os sócios também eram representados por mais duas contas, uma em nome de cada um, dentro do grupo de capital social a integralizar. O Caixa, que depois recebeu os depósitos de ambos os sócios, na prática, fisicamente, é uma gaveta, um cofre, uma pasta em um armário, mas, contabilmente, é uma conta contábil que pertence a um grupo de contas chamado de Ativo Circulante Disponível (Disponível = dinheiro). O conjunto, a listagem, de todas as contas que uma empresa utiliza no seu dia-a-dia contábil é chamado de Plano de Contas.

         Vamos representar cada conta que movimentamos, naquele nosso exemplo, por uma figura em forma de cruz, onde, do lado esquerdo, registramos os lançamentos a débito e, do lado direito, registramos os lançamentos a crédito:

 

         Obs1.: CSS = Capital Social Subscrito; CSA = Capital Social a Integralizar.

         Obs2.: A representação e o detalhamento dos lançamentos em uma conta contábil qualquer, graficamente apresentados como a figura em forma de cruz ou como um relatório em forma de tabela, recebe o nome técnico de Razão Analítico que nada mais é do que um extrato daquela conta, mostrando os valores lançados, a data de cada lançamento, e os históricos descrevendo as operações, em um período qualquer.

         Vamos agora entender que, na hora de construir o Balanço Patrimonial no papel, ou em um editor de texto no computador, o trabalho que o contador executa é coletar o saldo de cada uma das contas representadas por aquela figura em forma de cruz, ou seja, o contador copia o saldo do razão analítico da conta e, então, o escreve na frente do nome daquela conta no Balanço Patrimonial (Ou na DRE, se a conta for de resultado). No nosso segundo balanço patrimonial do exemplo, aquele construído após os sócios depositarem o dinheiro prometido de cada um, o contador, para escrever o valor 100.000,00 na frente do rótudo Caixa, foi até sua prancheta de razonetes (Nome popular do razão analítico) e procurou lá o razão da conta Caixa. Aquele razão, então, mostrava o saldo de 100.000,00, que foi copiado para o BP. Procurou em sua prancheta o razonete da conta João CSA, achou, notou que o saldo de tal conta era zero, e, então, sendo o saldo nulo, simplesmente, apagou do balanço patrimonial aquela conta (Poderia ter deixado lá, no BP, a conta com o saldo zero, sem problemas, mas a prática não é usual já que contas sem saldos poluem visualmente o demonstrativo e não trazem informação útil ao usuário).

         Agora sabemos, então, que o contador, ao emitir um BP, tem de onde copiar os saldos de cada conta que ele demonstra. Ele copia dos razonetes. Mas, e agora, como os razonetes são alimentados de forma a se chegar em um saldo? R.: Os razonetes são alimentados por lançamentos contábeis! Mas o que são lançamentos contábeis? R.: São registros de valores, datas e históricos, que, obedecento ao método das partidas dobradas, somam ou subtraem saldos de dois razonetes (duas contas) de uma só vez.

         Os exemplos esclarecerão:

         Vamos, agora, contabilizar aqueles 4 fatos contábeis acontecidos em nossa empresa exemplo utilizando-nos de lançamentos contábeis, razonetes e, ao final, elaboração, novamente, do Balanço Patrimonial.

 

Fato 1: Subscrição do Capital Social do sócio João, em 40.000,00:

Lançamento:

D - João em Capital Social a Integralizar

C - João em Capital Social Subscrito

Histórico: Subscrição de 40% das quotas de capital social da empresa de propriedade do sócio João por ocasião da assinatura do contrato social.

 

Veja como fizemos:

Debitamos a conta João CSA porque queríamos subtrair saldo dela. Como ela não registrava, antes, nenhum lançamento e, dela, subtraímos 40.000,00, levamos o saldo de tal conta, nesse momento, a ser - 40.000,00, ou seja, 40 mil negativos. Essa lógica de debitar para subtrair e creditar para somar é válida para todas as contas do Passivo e, também, para todas as contas de resultado (aquelas que estão na DRE).

Creditamos a conta João CSS porque queríamos somar saldo nela. Como o saldo da conta era, antes, zero, tornou-se, agora + 40.000,00. Essa lógica de creditar para somar e debitar para subtrair é válida para todas as contas do Passivo e, também, para todas as contas de resultado (aquelas que estão na DRE).

 

Fato 2: Subscrição do Capital Social do sócio José, em 60.000,00:

Lançamento:

D - José em Capital Social a Integralizar

C - José em Capital Social Subscrito

Histórico: Subscrição de 60% das quotas de capital social da empresa de propriedade do sócio José por ocasião da assinatura do contrato social.

        

Veja como fizemos:

Debitamos a conta José CSA porque queríamos subtrair saldo dela. Como ela não registrava, antes, nenhum lançamento e, dela, subtraímos 60.000,00, levamos o saldo de tal conta, nesse momento, a ser - 60.000,00, ou seja, 60 mil negativos. Essa lógica de debitar para subtrair e creditar para somar é válida para todas as contas do Passivo e, também, para todas as contas de resultado (aquelas que estão na DRE).

Creditamos a conta José CSS porque queríamos somar saldo nela. Como o saldo da conta era, antes, zero, tornou-se, agora + 60.000,00. Essa lógica de creditar para somar e debitar para subtrair é válida para todas as contas do Passivo e, também, para todas as contas de resultado (aquelas que estão na DRE).

         Se fôssemos construir aquele primeiro Balanço Patrimonial do nosso exemplo, aquele na data de assinatura do contrato social quando o Patrimônio Líquido ainda era zero, seria nesse momento que copiaríamos os saldos dos razonetes para o Balanço Patrimonial. Deixaremos tal tarefa, no entanto, para a construção do segundo BP.

 

Fato 3: Integralização, em dinheiro, do capital do sócio João

Lançamento:

D - Caixa

C - João em Capital Social a Integralizar

Histórico: Integralização de 40% das quotas de capital social da empresa de propriedade do sócio João, em dinheiro, moeda corrente do país, por ocasião do registro do contrato social na junta comercial do Estado de XX.

 

Veja como fizemos:

Debitamos a conta Caixa porque queríamos somar saldo nela. Como ela não registrava, antes, nenhum lançamento, passou a apresentar o saldo de + 40000,00. Essa lógica de debitar para somar e creditar para subtrair é válida para todas as contas do Ativo.

Creditamos a conta João CSA porque queríamos somar saldo nela. Como o saldo da conta era, antes, - 40000,00, tornou-se, agora, zero. Essa lógica de creditar para somar e debitar para subtrair é válida para todas as contas do Passivo e, também, para todas as contas de resultado (aquelas que estão na DRE), como já comentamos.

 

Fato 4: Integralização, em dinheiro, do capital do sócio José

Lançamento:

D - Caixa

C - José em Capital Social a Integralizar

Histórico: Integralização de 60% das quotas de capital social da empresa de propriedade do sócio José, em dinheiro, moeda corrente do país, por ocasião do registro do contrato social na junta comercial do Estado de XX.

 

Veja como fizemos:

Debitamos a conta Caixa porque queríamos somar saldo nela. Como ela já registrava, antes, saldo de 40000,00 D ou + 40000,00, passou a apresentar o saldo de + 100000,00 ou 100000,00 D. Essa lógica de debitar para somar e creditar para subtrair é válida para todas as contas do Ativo, como já comentamos.

Creditamos a conta José CSA porque queríamos somar saldo nela. Como o saldo da conta era, antes, - 60000,00 ou 60000,00 D, tornou-se, agora, zero. Essa lógica de creditar para somar e debitar para subtrair é válida para todas as contas do Passivo e, também, para todas as contas de resultado (aquelas que estão na DRE), como já entendido.

 

         Uma vez realizados os lançamentos contábeis (Observe que cada lançamento alterou o saldo de duas contas contábeis = partidas dobradas), passamos a apurar os saldos de cada razonete somando os valores lá lançados, da seguinte forma:

a) Somamos a conta caixa e apuramos, nela, o saldo de 100.000,00 D;

b) Somamos a conta João CSS e apuramos, nela, o saldo de 40.000 C;

c) Somamos a conta João CSA e apuramos, nela, o saldo de 0,00;

d) Somamos a conta José CSS e apuramos, nela, o saldo de 40.000 C;

e) Somamos a conta José CSA e apuramos, nela, o saldo de 0,00.

 

O Balanço Patrimonial, então, do nosso exemplo, é:

 

         Entendido o procedimento de construção do Balanço Patrimonial, ao menos de forma muito simplificada, resta-nos, agora, definir, de um modo prático, o que é Débito e Crédito:

         Débito e Crédito são sinais matemáticos de adição ou subtração, ou, de subtração ou adição. O sinal de (+) ou de (-) depende exclusivamente do posicionamento da conta contábil. Para contas do ATIVO, Débito significa soma, ou "+", e, Crédito, significa subtração, ou "-". Para contas do Passivo e contas de resultado, Débito significa subtração, ou "-", e, Crédito, significa adição, ou "+". Vejamos a tabela explicativa:

 

ATIVO

PASSIVO

RESULTADO

DÉBITO

Soma (+)

Subtração (-)

Subtração (-)

CRÉDITO

Subtração (-)

Soma (+)

Soma (+)

 

         Uma curiosidade: Como o Caixa é uma conta pertencente ao Ativo, saldos positivos de caixa são saldos devedores!